Cria do Manthiqueira, Pedro Henrique, o Pedrinho, de apenas 21 anos, faz parte da base de jogadores nascidos e criados em Guaratinguetá, e que atuam no clube desde muito cedo. Rápido e habilidoso, ele tem sido destaque na campanha do clube na Segunda Divisão do Campeonato Paulista, que garantiu o acesso ao Paulistão A3 de 2018. E como torcedor mantiqueirense, o camisa 10 não esconde a emoção de fazer história pelo seu time.
Na semifinal que garantiu o acesso do clube diante do União Mogi, no dia 16 de setembro, Pedrinho marcou o dele na vitória por 3 a 1. Após a partida, o jogador afirmou ter sido impossível 'segurar as lágrimas', principalmente pela responsabilidade de ser apontado como o principal atleta do elenco.
“Esse acesso representa muito para mim e para a minha carreira. Nunca tinha conquistado nada. Tudo caía muito em cima de mim, por eu ser o atleta que mais tempo joga no clube. Quando saí de campo, não aguentei. Chorei muito”, afirmou. “Fico emocionado só de pensar. Depois de tantas dificuldades, hoje a gente conseguiu provar que somos capazes”, acrescentou.
PRATA DA CASA
Pedrinho chegou aos nove anos de idade na equipe fundada por Dado de Oliveira, em 2005. Com um sonho e muita determinação, o garoto de origem pobre encontrou um porto seguro dentro das quatro linhas. Desde então, são 12 anos atuando no time laranja, e uma relação de amor e respeito com o homem que lhe abriu as portas.
“Eu sempre tive vontade de ser jogador. Queria dar uma condição melhor para a minha família e ser reconhecido. Hoje, estou conquistando isso. Mas nada disso teria acontecido se o Dado não tivesse acreditado em mim. Ele é como um pai. Devo muito”, disse.
CARTILHA
Educado no Manthiqueira sob os ensinamentos do fair play – a partir da cartilha criada pela técnica Nilmara Alves –, Pedrinho sempre desejou subir de divisão pondo em prática o que aprendeu. Apesar de ter enfrentado a desconfiança dos torcedores ao longo dos anos, ele sabia que seria possível realizar tal feito.
“A gente não fez cera, nem tentou manipular os jogos. Claro, muitas vezes não acreditaram que daria certo. Então, quando conseguimos, tudo mudou. Esse foi o melhor ano de todos. Eu saio na rua, o pessoal me reconhece. E eles sabem que a nossa postura dentro de campo é como a gente tenta levar a vida fora dele. É muito boa essa sensação”, explicou. “Se a gente conseguiu o acesso, é porque acreditamos nessa filosofia”, concluiu.
Neste sábado, diante do EC São Bernardo, o Manthiqueira joga pelo título da Segunda Divisão, precisando de apenas um empate para levantar o caneco. A partida acontece no estádio Dario Rodrigues Leite, em Guaratinguetá, às 15h.